Semana de Moda de Paris – Dia 5

akris

Akris – Um pavilhão situado dentro de um parque chinês foi a inspiração para o suíço Albert Kriemler criar seu outono/inverno 2009. As formas geométricas aparecem em recortes nas mangas de vestidos de lã e da jaqueta de couro, no matelassê de casacos acolchoados e nas costas de vestidos justos. Cinza, preto e vinho formam a paleta de cor da coleção, usável e refinada, com bons casacos compridos combinados com saias e cintos.

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Andrew Gn – O colorido do verão ficou pra trás e o inverno de Andrew Gn é sóbrio e utilitário, cheio de práticos bolsos, zíperes e botões esportivos que conseguem um equilíbrio interessante do casual com o clássico. O vermelho pontuou a passarela de pretos e brancos, peles deram acabamentos a punhos e golas dos casacos mais quentes, alguns usados como vestidos. Os bordados de pedrarias apareceram no final do desfile, em vestidos longos de noite de cintura marcada.

lacroix 

Christian Lacroix – As modelos entram na passarela de lacroix usando meia-calça preta rendada, é o primeiro objeto de desejo entre tantos outros que vão surgindo ao longo do desfile. A coleção está repleta de laços e de peças desestruturadas e fluidas, e também de casacos e paletós acinturados com discreto volume nas mangas, evocando a silhueta tão falada nesta estação. O mostarda quebra o gelo, assim como o jacquard dourado, que dá forma a vestidos curtos. As bolsinhas quadradas e os sapatos completam a extensa lista de desejos, e eu nem citei metade deles!

 costume

Costume National – Uma infinidade de paletós e blazers compõem o inverno da Costume National, e aí valem proporções exageradas ou secas, composições com calças ou saias ou mesmo usados como vestidos (o que tem aparecido muito nos desfiles), provando que a alfaiataria e o universo masculino estão mesmo em voga. O vermelho e o azul aparecem em vestidinhos curtos e assimétricos, todo com o mesmo toque “bad girl” dos ternos cinzas.

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Dries van Noten – As cores do pintor Francis Bacon inspiraram Dries Van Noten, e seu inverno é suave, mesclando tons pastéis de bege, rosa, verde e azul a cores mais vibrantes como o vermelho alaranjado, berinjela, amarelo e o roxo azulado. O conforto é palavra-chave traduzida em calças largas, casacos felpudos que transitam bem entre o sofá de casa e a rua, saias retas e bermudas. Os casacos-capa são o ponto alto, e vão desde o tradicional em cor camelo até as cores inusitadas da paleta. O couro caramelo é opção para temperaturas mais baixas. As estampas em preto e branco, em peças com recortes mesclando laranjas, também se destacaram num desfile que foi um sopro de ar e criatividade, leveza e praticidade. Alguém aí lembrou de crise diante de tanta maravilha?

 ungaro

Emanuel Ungaro – Esteban Cortazar acertou no inverno da Ungaro, numa coleção com o colorido alegre dos anos 80 e misturas de padronagens, marcas registradas da casa. As formas variam desde a fluidez e aos balonês volumosos até os vestidos e tops drapeados que parecem atados ao redor do corpo. Os ombros ganham importância nas jaquetas, os casacos de tricô são irresistíveis. A estampa de pois, outra característica típica da marca, aparece em lenços amarrados no pescoço ou na cintura, e junto com as meias coloridas dão ainda mais descontração ao inverno. Os vestidos de noite ganham volumes e recortes mais arquitetônicos, fechando a coleção: jovem, fresca, adorável.

 givenchy

Givenchy – Um braço nu e outro descoberto, um vestido que parece feito de cabelo, transparência sobre sutiã estruturado, vestidos com panejamentos e drapeados desabados na frente, peças cravadas de tachas dos pés ao pescoço, saia com dobraduras que lembram origami. Tudo isso apareceu no inverno dark de Givenchy, onde a proposta do estilista Ricardo Tisci era justamente uma grande variedade de formas. Faltou uma unidade, mas não podemos reclamar da falta de boas modelagens e cortes impecáveis.

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Hussein Chalayan – Os desfiles de Hussein Chalayan causam impacto semelhante aos efeitos que os parques de diversão têm sobre as crianças: o queixo cai, a pessoa fica abobalhada, não tem jeito. Dessa vez a surpresa foi justamente a ausência das performances. A sensualidade permeou o desfile, a tecnologia estava nos tecidos de fibras de acetato e as inspirações eram as ruas de Londres. Algumas peças comerciais desfilaram, como já é de praxe, e outras de ar mais futurista tinham bons cortes e formas, mas em se tratando de Chalayan… frustrou.

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Karl Lagerfeld – Prata e preto dão o tom do inverno do grande Kaiser da moda, num desfile com perfume futurista repleto de calças skinny (tão condenadas mundo afora). Os enormes capacetes de peles vêm com fones de ouvido acoplados, os cortes secos e retos foram inspirados em linhas arquitetônicas. Os metalizados aparecem em detalhes de bordados e em brincos incríveis que escondem toda a orelha.  

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Sonia Rykiel – As modelos de Sonia Rykiel anunciam na passarela: “Eu estou usando óculos escuros porque sou uma estrela!”, “Eu me chamo Imogen e estou usando um vestido preto!”. É inusitado, bem humorado, quebra a rigidez e a monotonia e quase esquecemos de notar as roupas, algumas carregadas de significados também, como o casaco onde se lia “très chèr pullover” (casaco muito caro). O veludo preto dá formas a calças confortáveis, vestidos e aparece em detalhes e no interior de golas, além de funcionar muito bem combinado à alfaiataria. Estampas geométricas de retângulos ganham cores vivas. Os terninhos e coletes são très franceses. Peles e paetês aparecem a partir da metade do desfile. O casting posa para fotos sorrindo. Precisa dizer mais?

 

 

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