Chloé e Valentino: Romance x Modernidade

 Chloé e Valentino estão comemorando datas importantes em 2012. A grife francesa celebra 60 anos com uma exposição em Paris enquanto a marca italiana completa meio século de vida (lá se vão cinco anos sem seu fundador, Valentino Garavani…). Ambas são exemplos do arquétipo do Amante e apesar de terem públicos e propostas diferentes, são percebidas como grifes que exaltam a feminilidade. Vamos analisar cada uma:

 Anúncios de 1969 e 1970 já mostravam quem era a mulher Chloé

A Chloé foi fundada em 1952 por Gaby Aghion, uma egípcia criada na França e que não se conformava com a rigidez da alta costura. Seu objetivo era simples: criar peças de ótima qualidade, muito femininas e que ao mesmo tempo fossem práticas. Logo a marca ficou conhecida pelos vestidos de chiffon e pela boa alfaiataria, construindo uma identidade romântica porém leve, voltada para uma mulher independente, confiante e jovem.

Em cima, looks da era Stella McCartney e embaixo, coleções de Phoebe Philo para a Chloé

Vários estilistas passaram pela Chloé: Martine Sitbon, Karl Lagerfeld, Stella McCartney, Phoebe Philo, Paulo Melim Andersson, Hannah McGibbon e, atualmente, Clare Waight Keller. Com a entrada de Stella, em 1996, a marca se renovou, ganhando ares mais atrevidos e “rock’n’roll”. Porém, Phoebe foi quem melhor comunicou a essência, dosando muito bem romantismo e atitude, com referências aos anos 60 e 70 e alguns elementos do guarda-roupa masculino. Com sua saída, a grife passou por momentos confusos, com a identidade um pouco perdida até a chegada de Clare, que retomou o DNA da Chloé e soube imprimir sua personalidade para a alegria do grupo Richemont, dono da marca.

Campanha de primavera/verão 2012

A questão da substituição de Valentino foi mais dramática, afinal por 45 anos ele foi a cara da grife e compartilhava com as clientes o lifestyle de glamour, festas e viagens sofisticadas (quem assistiu ao documentário “Valentino: the Last Emperor” sabe do que estou falando). Sua aposentadoria coincidiu com a venda da Valentino spA ao grupo Permira, em 2007, que por sua vez acaba de entregá-lo a uma holding do Qatar, a Mayhola for Investiments.

A coleção branca de 1968 e o estilista com Jackie O. 

Apesar do afastamento, o estilista continuou acompanhando as coleções de perto e sua primeira substituta, Alessandra Facchinetti, não o agradou. No lugar dela, entraram Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, que já eram responsáveis pelos acessórios. Desde 2009, a dupla tem a difícil missão de rejuvenescer a grife, mantendo sua essência feminina e romântica mas com um apelo contemporâneo, para encantar uma nova geração de consumidoras. A identidade foi atualizada com muitos vestidos de renda, bordados, florais e tons pastel, além de uma atenção extra nos acessórios. O famoso vermelho Valentino permanece, porém com a cara do século XXI!

O romantismo moderno de Maria Grazia e Pierpaolo

Tanto a Chloé quanto a Valentino provam que manter-se fiel à identidade da marca não é viver de nostalgia, mas sim saber extrair a essência de modo estratégico, ativando valores atemporais, que sempre emocionam o público. Como disse Maria Grazia ao WWD: “a moda tem que evocar sonhos. Este é seu motor.”

A campanha de primavera/verão 2012 com o vermelho Valentino em nova versão!

Quer saber sobre o poder das marcas arquetípicas? Então clique aqui. E leia sobre mais algumas: ChanelRalph LaurenAlexander McQueen, Christian Louboutin, Stella McCartneyGapLouis VuittonPradaTiffany, NikeLevi’sMACDieselKiehl’sH.SternGiorgio ArmaniDior & Yves Saint Laurent,
Burberry e Vogue. 

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